O míssil Polaris mudou a geometria da guerra nuclear. Antes deste sistema, desferir um ataque retaliatório exigia silos terrestres vulneráveis ou bombardeiros que pudessem ser interceptados na pista. Polaris mudou o campo de batalha debaixo d’água. Tornou-se o primeiro míssil balístico lançado por submarino (SLBM) bem-sucedido dos Estados Unidos, resolvendo um pesadelo logístico que atormentava os estrategistas desde o início da era atômica.
Mas a história não é apenas americana. O impacto do programa repercutiu através do Atlântico, definindo a segurança nacional britânica durante duas décadas. Para a Grã-Bretanha, a Polaris não era apenas uma arma; foi a espinha dorsal de toda a sua dissuasão nuclear. O Reino Unido operou o sistema Polaris durante as décadas de 1970 e 1980, navegando nas ondas em submarinos que serviam como plataformas de lançamento flutuantes e invisíveis.
Por que submarinos?
Mísseis terrestres são alvos estáticos. Eles ficam em buracos no chão. Os submarinos se movem. Eles desaparecem no azul profundo. Esta mobilidade tornou quase impossível rastreá-los com qualquer grau de certeza. Se um submarino puder atacar de qualquer lugar do oceano, o adversário não saberá onde mirar primeiro. Este é o conceito central de destruição mutuamente assegurada. Você não precisa ganhar a troca. Você só precisa garantir que conseguirá sobreviver o suficiente para revidar.
O programa Polaris alavancou esta realidade. Ao incorporar o míssil num submarino, a Marinha dos EUA criou uma capacidade de segundo ataque robusta e com capacidade de sobrevivência. O míssil em si era um foguete de combustível sólido de dois estágios. Era relativamente simples em comparação com os gigantes movidos a combustível líquido da era anterior. O combustível sólido significava que ele poderia ficar pronto para lançamento por longos períodos. Não é necessário abastecimento complexo de pré-lançamento. Apenas atire.
A conexão britânica
O Reino Unido não comprou apenas o míssil. Eles alugaram os submarinos. Os EUA forneceram ogivas e mísseis Polaris. O Reino Unido forneceu os navios, as tripulações e a estratégia de implantação. Este acordo, conhecido como Acordo de Vendas Polaris, permitiu à Grã-Bretanha manter uma dissuasão nuclear independente sem a enorme sobrecarga industrial de desenvolver o seu próprio sistema de distribuição a partir do zero.
Funcionou. A resolução da crise dos mísseis cubanos aterrorizou os decisores políticos de ambos os lados do Atlântico. Eles precisavam de uma maneira de garantir a estabilidade. Uma força baseada em submarinos providenciou isso. Removeu a pressão do tipo “use ou perca” que os sistemas terrestres enfrentavam. Se uma guerra começasse, os submarinos poderiam sobreviver à barragem inicial e então lançar a sua carga horas ou dias depois.
Os submarinos britânicos, parte da Marinha Real, patrulhavam os oceanos. Eles carregavam mísseis Polaris com ponta nuclear. Essa configuração perdurou até o final da década de 1980. Quando o sistema foi finalmente retirado, foi substituído pelo sistema Trident. Mas Polaris definiu o modelo. Provou que os submarinos poderiam ser o dissuasor final.
Realidades Técnicas
O míssil Polaris, especificamente a variante A3 usada pelos EUA, tinha um alcance de cerca de 2.500 milhas náuticas. São cerca de 2.900 milhas terrestres. Para a versão do Reino Unido, o alcance foi um pouco menor devido a restrições de carga útil, mas ainda suficiente para atingir alvos importantes na União Soviética a partir de portos seguros no Atlântico ou no Pacífico.
O sistema de orientação foi um grande avanço. Utilizou um sistema de navegação inercial que foi atualizado
De Polaris a Poseidon: A Evolução da Dissuasão Submarina
A Marinha dos EUA não apenas tropeçou na era nuclear. Foram necessários quatro anos de pesquisa e desenvolvimento incansáveis para acertar. Em 1960, a frota estava pronta. Submarinos movidos a energia nuclear começaram a ser implantados com uma nova capacidade aterrorizante: dezesseis mísseis Polaris por barco.
O hardware era enorme. Cada míssil tinha 31 pés de comprimento e 4,5 pés de diâmetro. Essa não é uma carga útil pequena. Eles funcionavam com dois estágios de combustível sólido, confiáveis e prontos. Mas a verdadeira história está nas variantes. A Marinha construiu três modelos distintos, cada um com uma finalidade estratégica diferente.
O Polaris A-1 foi o ponto de partida. Tinha um alcance de 1.400 milhas e carregava uma única ogiva de um megaton. Isso foi o suficiente para apagar uma cidade. Então veio o A-2. Alcance um pouco maior, de 1.700 milhas, mas ainda assim um megaton. Por que o alcance é importante? Porque um submarino poderia ficar mais longe da costa inimiga, mais seguro contra detecção.
O A-3 foi o divisor de águas. Não foi apenas mais longe. Foi duas vezes mais longe que o A-1, atingindo alvos a 2.800 milhas de distância. E não trouxe apenas uma bomba. Carregava três ogivas separadas, cada uma com 200 quilotons. Três alvos. Um submarino. Três greves.
“O A-3 era capaz de lançar três ogivas de 200 quilotons a uma distância de 2.800 milhas.”
Não se tratava apenas de destruição. Tratava-se de capacidade de sobrevivência e penetração. Os soviéticos sabiam disso. E eles começaram a construir defesas.
Chevaline: Superando a Cortina de Ferro
O Reino Unido viu o que estava escrito na parede. Em 1969, adotaram o Polaris A-3. Mas eles não pararam por aí. Eles refinaram isso. Eles chamaram o sistema atualizado de Chevaline (tecnicamente A-3TK).
Por que ajustar um míssil funcional? Porque a União Soviética estava a ficar mais inteligente. As defesas contra mísseis balísticos estavam aumentando em torno de Moscou. Iscas. Bloqueadores. Camadas de ruído eletrônico projetadas para confundir ogivas que chegam. Chevaline não era apenas um míssil. Era um quebra-cabeça projetado para ser insolúvel pelo radar.
Ogivas iscas flutuavam ao lado das reais. Bloqueadores eletrônicos gritavam estática para o céu. O objetivo não era apenas acertar. Era para fazer o inimigo desperdiçar suas defesas com fantasmas.
Começa a Era do Tridente
Mas até Chevaline tinha prazo de validade. Em 1980, o Reino Unido deu um passo decisivo. Eles anunciaram planos para substituir totalmente a força Polaris. A substituição? O Trident SLBM.
Trident não substituiu Polaris. Foi uma evolução. Um novo padrão. Uma nova era. A década de 1990 colocaria esses mísseis em serviço, levando adiante o legado de furtividade e alcance.
A era Polaris terminou. A era Poseidon começou nos EUA entre 1971 e 1978. Poseidon trouxe sua própria carga útil, seu próprio alcance. Mas o princípio subjacente permaneceu o mesmo. Esconda-se debaixo d’água. Ataque de qualquer lugar. Certificar-se
