No seu novo livro, The Creatures’ Guide to Caring (Viking, 30 dólares), a jornalista científica Elizabeth Preston explora uma questão profunda: se a parentalidade é um fenómeno biológico praticado por inúmeras espécies ao longo de milhões de anos, porque é que parece ser um dos empreendimentos humanos mais difíceis?
Ao examinar as estratégias diversas, muitas vezes bizarras e às vezes brutais, usadas pelos animais para criar seus filhotes, Preston fornece uma lente única através da qual podemos ver as complexidades da criação humana dos filhos.
O espectro biológico do cuidado
A paternidade na natureza varia do altamente eficiente ao profundamente estranho. Preston usa esses extremos para destacar a grande variedade de estratégias de sobrevivência desenvolvidas pela natureza:
- Crescimento Extremo: Besouros enterrados amassam as carcaças em bolas ricas em nutrientes, regurgitando alimentos para ajudar seus filhotes a crescer até 200 vezes seu tamanho original em apenas seis dias.
- Ligações hormonais: No mundo aquático, os esgana-gatas machos de três espinhos demonstram que a “paternidade” não é exclusiva dos mamíferos. Esses peixes utilizam hormônios como a oxitocina – o mesmo hormônio de ligação encontrado nos humanos – para cuidar dos ovos.
- Proteção feroz: As hienas pintadas exibem um nível de ferocidade maternal que reflete o instinto humano; as mães lutarão contra outros adultos para garantir que seus filhotes sejam alimentados, priorizando a sobrevivência de seus filhotes acima de tudo.
O lado negro da sobrevivência
O livro não foge das realidades mais duras da natureza. A evolução é impulsionada pela sobrevivência, não necessariamente pelo sentimento, e a parentalidade envolve frequentemente compensações difíceis:
“A criação de filhos na natureza também tem seu lado negro… uma fêmea de lagarto de cauda longa pode comer todos os seus ovos se enfrentar predadores muitas vezes, talvez porque seja melhor tentar novamente do que continuar lutando.”
Este pragmatismo biológico – em que um progenitor pode abandonar ou mesmo consumir os filhos para garantir a sua própria sobrevivência – serve como um lembrete claro de que a “boa paternidade” depende do contexto. Em espécies como os saguis e os micos, o sucesso dos pais está diretamente ligado ao apoio social; sem uma “aldeia” para ajudar, a probabilidade de rejeição infantil aumenta.
Por que isso é importante para os humanos
A análise de Preston sugere que grande parte da luta moderna da parentalidade decorre de uma mudança nas nossas estruturas sociais. Embora os humanos tenham evoluído para serem pais cooperativos – contando com uma comunidade de parentes e amigos para partilhar o fardo – a vida moderna isola frequentemente os indivíduos, eliminando os sistemas de apoio comunitário que a natureza pretendia.
Ao comparar as lutas humanas com os imperativos biológicos de outras espécies, Preston reformula a parentalidade não como uma falha pessoal de habilidade ou resistência, mas como um desafio evolutivo complexo.
Conclusão
O Guia das Criaturas para Cuidar oferece uma perspectiva que é ao mesmo tempo humorística e humilhante. Lembra-nos que, embora a criação de filhos seja inegavelmente difícil, fazemos parte de uma vasta e antiga tradição biológica que desenvolveu inúmeras formas de enfrentar os desafios de nutrir a próxima geração.























