A maior lua de Saturno pode ser o melhor posto de gasolina. Para o espaço profundo. Talvez até para viver.
Titã parece familiar, estranhamente, e ainda assim é totalmente estranho. Tem clima. Nuvens. Chuva. Lagos que espirram metano em vez de água. Está envolto em uma espessa atmosfera de nitrogênio. Nenhuma outra lua tem isso. Nem mesmo o irmão da Terra no sistema exterior. Ele fica sozinho com esse pesado cobertor atmosférico.
Os cientistas se importam. O lugar é rico em química orgânica. É prebiótico. As coisas que podem fazer a vida, ou lembrar de onde a vida começou. A NASA envia o Dragonfly para lá em breve, talvez em julho de 2028, para bisbilhotar.
Mas há uma razão mais sombria para olhar para lá. Os humanos querem ir. Robert Zubrin chamou as luas de Saturno de Golfo Pérsico do Sistema Solar em seu livro Entering Space. Ele não estava errado sobre a riqueza.
Um novo estudo apoiado pela NASA dá um número a essa ideia. Leva a sério os recursos da Titan. A equipe mapeou o que está disponível e perguntou se isso poderia manter os humanos vivos lá fora. Comparado a Marte ou à Lua? Titan vence em profundidade de recursos. Custa apenas uma fortuna e uma longa viagem para chegar lá.
Quem escreveu
Conor Nixon lidera o ataque. Ele está na NASA Goddard. Ele se juntou a Ye Lu da Worcester Polytechnic e Jennifer Ruliffson da Flórida. Eles colocaram seu trabalho online. Está esperando pela Acta Astronautica.
O grande foco é a utilização de recursos in-situ. ISRU. Conversa chique para “não traga de casa, faça onde você está”. Todo mundo olha para a Lua. Todo mundo olha para Marte. Titã é ignorado principalmente porque está longe. Até agora.
O jornal argumenta que Titã pode ser mais do que uma escala. Poderia ser uma fábrica. Um centro de reabastecimento. Uma porta de entrada para o resto da família de Saturno.
Pense nisso. A superfície tem hidrocarbonetos por toda parte.
“Titã está jorrando hidrocarbonetos”, disse Nixon.
O que chamamos de petróleo e gás aqui? Esse é o sangue de Titã. O ar contém 5% de metano. Isso é coisa de GNL. Combustível para cozinhar na Terra. Em Titã, ele paira no céu. Propano. Butano. Querosene. Gasolina.
Você os queima? Claro. Você faz plásticos? Também tenho certeza. Borracha sintética. Solventes. Farmacêuticos. Aditivos alimentares. Nixon observa que podemos literalmente imprimir em 3D o nosso caminho para a civilização se colhermos cadeias de carbono suficientes.
Não apenas combustível
Estudos anteriores analisaram uma coisa: propelente. Geoffrey Landis mostrou que poderíamos liquefazer o metano e extrair oxigênio da água gelada. Faça suco de rúcula. Simples. Limpar. Eficiente para missões de retorno de amostras.
A equipe de Nixon lançou uma rede mais ampla. Eles examinaram estruturas permanentes. Postos de reabastecimento que atendem os navios de passagem, não apenas os que voltam para casa. Talvez você reabasteça uma nave que vai de Encélado a Mimas. Talvez você ateste um navio-tanque rumo a Netuno.
Imagine uma estação na superfície. Não armazena apenas gás. Ele armazena tinta. Fertilizante. Matérias-primas para impressoras que fabricam peças de reposição. Utensílios. Têxteis. Um visitante atraca não apenas para encher tanques, mas para reabastecer sua despensa.
É realista? Não. Ainda. Mas a matemática está começando a permitir isso.
A água ajuda. Bastante. É 50% da massa de Titã. A maior parte é rocha no núcleo. Mas a água existe. Abaixo da superfície, é líquido graças aos sais de amônia que o impedem de congelar. Na superfície? Gelo sólido. Colha. Beba. Divida-o por hidrogênio. Combine com ar para obter oxigênio.
Os pesquisadores compararam Titã a Marte. Para a Lua. Para asteróides próximos à Terra.
Veredicto: Titã está distante. Você precisa de propulsão nuclear para tornar o trânsito eficiente. É difícil chegar lá.
Mas o potencial? Inigualável.
“Simplesmente não existe outro mundo como Titã”, insiste Nixon.
Única lua com ar denso. Único corpo além da Terra com hidrocarbonetos atmosféricos e superficiais aguardando coleta.
O Centro de Saturno
Saturno poderia se tornar o centro de tudo. Não apenas Titã. Todo o sistema. A própria atmosfera de Saturno contém hélio-3. Um isótopo raro. Ouro combustível de fusão.
Adicione isso à água, às cadeias de carbono, aos gases. É o Golfo Pérsico, novamente.
Construir uma base não significa fincar uma bandeira. Trata-se de construir uma indústria. Capacidades de fabricação que atendem às necessidades humanas por gerações. Casas de plástico. Alimentos cultivados. Combustível local.
É um sonho distante. Os desafios são íngremes. Foguetes nucleares, suporte vital em labirintos de nitrogênio, frio extremo.
Mas está lá. Sentado à sombra dos anéis. Esperando.
























